Todos juntos somos fortes

Oi ser vivo!

Em minha última coluna escrevi sobre a genialidade do Chico Buarque.  Hoje, sem querer e entre outras coisas, falarei novamente sobre esse grande artista.

Durante a minha carreira na TV Globo tive a oportunidade de trabalhar com gestores maravilhosos. Entre eles a Ana Luzia (ou “Aninha”, como é conhecida do Faxineiro ao Diretor Geral).

Quando a Aninha assumiu a liderança do time em que eu atuava, enviou de maneira muito sábia uma música que traduzia a união e força que ela esperava da equipe. Todos Juntos, de Chico Buarque (1977):

“[…]Todos juntos somos fortes
Somos flecha e somos arco
Todos nós no mesmo barco
Não há nada pra temer[…]”

A atitude da Aninha ao citar Chico ilustrou que a união é uma força capaz de gerar confiança. Isso motivou seus talentos e, posso dizer, resultou em vitória!

Foi como nadar contra a maré de Nicolau Maquiavel que, em O Príncipe, disse: “[…]se não lograr desunir ou dispersar os seus novos súditos, não lhes extirpará da memória aquela ideia, à qual se hão de socorrer em qualquer oportunidade”.

Recordei-me também da passagem bíblica em que o apostolo Pedro compara o Diabo com um leão que, rugindo, procura desunir as pobres ovelhinhas para um ataque solitário e bem sucedido. Aliás, em hebraico antigo a palavra “Diabo” significa “aquele que separa” ou “aquele que divide”.

Veja , querido leitor, como a arte é um elemento vivo fantástico! A partir de uma obra (saltimbancos!) é possível transmitir amor, saudade, paz, inquietação, alegria e até mesmo reflexões sociológicas, teológicas e organizacionais.

E tem gente que acha que a arte é supérfluo!  Como é verdadeira a letra dos Titãs:

“Bebida é água!
Comida é pasto!
Você tem sede de que?
Você tem fome de que?…

A gente não quer só comida
A gente quer comida
Diversão e ARTE (balé)

Quero terminar essa coluna com um poema de João Cabral de Melo Neto, “Tecendo a manhã”, que  mostra como a união é importante à vida. Até mesmo para o simples nascimento de um novo dia, costurado por vozes de galos na madrugada.

Tecendo a manhã

Um galo sozinho não tece uma manhã:

ele precisará sempre de outros galos.

De um que apanhe o grito que um galo antes

e o lance a outro; e de outros galos

que com muitos outros galos se cruzem

os fios de sol de seus gritos de galo,

para que a manhã, desde uma teia tênue,

se vá tecendo, entre todos os galos.

E se encorpando em tela, entre todos,

se erguendo tenda, onde entrem todos,

se entretendendo para todos, no toldo

(a manhã) que plana livre de armação.

A manhã, toldo de um tecido tão aéreo

que, tecido, se eleva por si: luz balão.

(MELO, João Cabral de. In: Poesias Completas. Rio de Janeiro, José Olympio, 1979)

 Viver é urgente!
Daniel Ladeira – professorladeira@gmail.com

Uma resposta to “Todos juntos somos fortes”

  1. Aline Lira Says:

    Eu concordo. As pessoas têm que aprender a “coletivizar” (existe?) e não apenas por interesse, porque convém e sim porque agrega, porque existe troca.

    DIversão é solução SIM.

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